Quantos
relacionamentos são medidos pela paixão sem que ela seja compreendida?
Mais do que isso, a paixão, definida pelo dicionário como um sentimento
ou emoção levada a um alto grau de intensidade, deixa homens e mulheres
cegos. O fato já comprovado por psicólogos e psiquiatras agora ganha
base científica. Recentes investigações sobre a atividade do cérebro
revelam que apaixonados perdem a habilidade de criticar seus parceiros.
Ou seja, o apaixonado dificilmente consegue ver defeitos e desconfiar da
pessoa amada. Essas pesquisas estão ajudando a encontrar respostas para
perguntas tão básicas, como também enigmáticas e sugestivas, por
exemplo, o que ocorre em nosso interior quando nos apaixonamos, o que
acontece com nossa mente ou porque possuímos ou não desejo sexual.
De acordo com o neurologista André Palmini, da Faculdade de Medicina
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, quando a
pessoa está apaixonada por alguém, seu cérebro desativa estruturas
responsáveis pelo julgamento crítico. “Estudos com imagens mostram que
os mecanismos cerebrais que nos fazem ter uma visão crítica sobre as
atitudes dos outros são desativados quanto estamos com a pessoa amada. É
a explicação da ciência para a cegueira da paixão”, diz.
Marcelle Vecchi, psicoterapeuta comportamental neurolinguista,
explica que esses sentimentos provocam um conjugado de alterações
químicas que geram altos níveis de dopamina, serotonina e ocitocina.
“Esses neurotransmissores são os responsáveis pelos sentimentos de
euforia, disposição, motivação, alegria e prazer. O cérebro, ficando
inundado com esses neurotransmissores, automaticamente não percebe
ameaças do ambiente, como outra pessoa que não esteja apaixonada
perceberia. A paixão realmente cega as pessoas”, ressalta Vecchi.
O mais curioso do estudo, no entanto, é que o cérebro age de forma
diferente na paixão e no amor. No topo da paixão, os mecanismos de
defesa quase não são ativados, mas essa situação vai mudando com o
passar do tempo. “Com a consolidação do sentimento, o cérebro começa a
reagir ao ver a pessoa amada de forma parecida como age com outras
pessoas. O grande segredo da neurociência é porque as pessoas continuam
juntas, mesmo com as mudanças no comportamento cerebral”, afirma
Palmini. Para a psicóloga e escritora Vera Paráboli Milanesi, isso
ocorre como todo estímulo novo.
“Inicialmente, o objeto da paixão
desperta no apaixonado reações psíquicas e físicas acentuadas. Com o
passar do tempo, a pessoa amada já não é vista como novidade e sim como
algo que faz parte da paisagem e, como tal, é encarada com mais
naturalidade. Nesse momento, muitas pessoas ficam preocupadas, achando
que não amam mais, porque suas reações já não são exageradas. No
entanto, não podem se esquecer de que o sentimento apenas muda de
aspecto com o passar do tempo, mas isso não significa que não existe
mais”.
A análise destes aspectos permitiu constatar que homens e mulheres
funcionam de maneira diferente no que se refere ao amor e à paixão.
Segundo a psicóloga clínica e terapeuta sexual, Yara Monachesi, as
respostas de homens e mulheres aos afetos serão sempre diferentes,
porque homens e mulheres são diferentes, estruturam-se em uma sociedade
em que as expectativas formuladas para um e outro são diferentes, na
qual os papéis feminino e masculino são previamente definidos. É de
acordo com esta modelagem da personalidade que serão dadas as respostas
afetivas. Vera Milanesi afirma que as mulheres tendem a ser mais
românticas do que os homens, e por isso, acabam se apaixonando com mais
facilidade, o que muitas vezes leva a grandes erros, pois no processo de
“apaixonamento” acabam se deixando levar por ilusões a respeito do
outro, por imagens idealizadas e não pela realidade. “Os homens, em sua
maioria, são mais concretos e têm mais facilidade para pesar, desde o
início, se a relação tem ou não futuro”, completa Milanesi.
Fonte: Verdade Gospel
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