O Ministério da Saúde alerta para o
aumento de 10,1% no número de casos entre gays de 15 a 24 anos. No ano
passado, para cada dez heterossexuais vivendo com o HIV (AIDS) havia 16
homossexuais. Apesar da estabilidade na prevalência da AIDS na sociedade
brasileira (em torno de 0,6% da população) e ligeira diminuição da
incidência de casos notificados em dois anos – de 18,8 casos por cem mil
habitantes (em 2009) para 17,9 casos por cem mil habitantes (2010).
Segundo os dados do Boletim
Epidemiológico AIDS/DST, a taxa de incidência de HIV entre rapazes
daquela faixa etária subiu de 9,5 (2000) para 11,1 (2010) – acréscimo de
16,8%; enquanto entre as mulheres jovens assistiu-se à redução de 23,5%
na taxa de incidência – de 10,2% (2000) para 7,8% (2010). Para atingir o
público jovem, o Ministério da Saúde promete reforçar as campanhas
educativas em redes sociais e locais de grande concentração.
No conjunto da população, no entanto,
preocupa a evolução do vírus entre as mulheres. Em 1989, a razão era de
seis homens com HIV para cada mulher; em 2010 a relação caiu para 1,7.
Os homens são maioria entre as pessoas que identificaram o vírus. Em 31
anos (até junho deste ano), o boletim registra 397.662 casos masculinos
(65,4%) e 210.538 casos femininos (34,6%).
Ainda que identificadas essas
tendências, o Ministério da Saúde assinala que não existe população mais
ou menos vulnerável e que o problema é de comportamento. “Sexo sem
proteção é o fator de maior predisposição para a infecção”, assinalou o
secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. “A aids não escolhe
pacientes, não escolhe cara”, acrescentou o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, que salientou que o estigma em torno da aids atrapalha o
conhecimento sobre a infecção e o tratamento. “Preconceito afasta as
pessoas do diagnóstico”, ponderou o ministro.
O ministro destacou que a leitura dos
dados epidemiológicos da AIDS deve ser feita com cuidado. “Toda vez que
falamos de casos, nós podemos falar de uma foto ou de um filme de oito
ou dez anos”, pondera para lembrar que a identificação do vírus pode
demorar e, portanto, os casos registrados hoje têm causas em
comportamento do passado.
Além de cruzamentos da incidência do HIV
com a faixa etária e o sexo, o Ministério da Saúde também observou os
registros entre as grandes regiões do país. Apesar do Sudeste concentrar
56,4% dos casos de AIDS entre 1980 e junho de 2011 (17,6 casos a cada
100 mil habitantes), a Região Sul tem a maior taxa de incidência, 28,8
casos a cada 100 mil habitantes (acúmulo de 123.069 casos em 31 anos).
De acordo com o boletim epidemiológico,
os três estados da Região Sul estão entre os cinco primeiros no ranking
da taxa de incidência entre 1998 e 2010. O Rio Grande do Sul é o
primeiro com taxa de 27,7 casos por 100 mil habitantes; Santa Catarina é
terceiro com 23,5 casos; e o Paraná ocupa a quinta posição com 15,7
casos.
* Com informações da Agência Brasil

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