O primeiro-ministro do Egito, Essam
Sharaf, pediu calma ao país depois dos confrontos entre cristãos coptas
(segmento da Igreja Católica que não segue o papa Bento XVI) e forças de
segurança que deixaram 24 mortos e 212 feridos no Cairo neste domingo.
Um toque de recolher foi imposto durante a madrugada e suspenso às 7h
(2h de Brasília).
A violência começou
durante protesto na capital contra um ataque a uma igreja, ocorrido na
semana passada na província de Assuã, pelo qual os coptas
responsabilizaram muçulmanos radicais. O assunto é tema também da
reunião dos 27 ministros das Relações Exteriores da União Europeia nesta
segunda-feira em Luxemburgo.
Na semana
passada, interlocutores europeus advertiram as autoridades egípcias
sobre o clima de incerteza existente no país. Para os europeus, os
conflitos de ontem devem ser analisados como alerta e motivo de
preocupação.
Sharaf disse, depois de
uma reunião de emergência com seus assessores, que as divergências entre
muçulmanos e cristãos no Egito são “uma ameaça à segurança”. O
primeiro-ministro acrescentou que os conflitos ameaçam a “unidade” do
país. Segundo ele, a origem dos confrontos pode estar em planos de
conspiração para desestabilizar o governo de transição.
Em
pronunciamento transmitido pela TV, após visita à região onde ocorreram
os confrontos na noite de domingo, Sharaf lembrou que a ameaça mais
séria à segurança do país é a provocação à unidade nacional e a
alimentação da discórdia entre os filhos muçulmanos e cristãos do
Egito”.
Durante a noite, a TV egípcia
mostrou manifestantes em confronto com as forças de segurança e veículos
militares incendiados do lado de fora do prédio da TV estatal, onde os
manifestantes haviam planejado um protesto pacífico. As tensões
sectárias vêm aumentando nos últimos meses no Egito.
Os
cristãos coptas – que representam cerca de dez por cento da população –
acusam o conselho militar que governa o país de ser conivente com os
responsáveis por uma onda de ataques anticristãos.
Ontem,
a violência se espalhou pela Praça Tahrir – epicentro das manifestações
do início do ano. Milhares de pessoas – não somente cristãos –
participaram do início do protesto, com uma passeata do distrito de
Shubra até a Praça Maspero, onde está a sede da emissora de TV estatal.
Os
cristãos coptas reclamam de discriminação, incluindo uma lei que requer
permissão presidencial para a construção de igrejas. Além disso, o
Egito apenas reconhece conversões do cristianismo para o islamismo, mas
não o contrário.
O clima de incerteza é
constante desde a renúncia do ex-presidente Hosni Mubarak, em 11 de
fevereiro. Com a saída de Mubarak, o conselho militar assumiu o poder.
Os militares prometem iniciar o processo de transição política a partir
de novembro promovendo eleições diretas.
* Informações da Agência Brasil

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