domingo, 11 de setembro de 2011

Ataques de 11/09



Um pedaço de aço retorcido proveniente dos ataques ao World Trade Center é visto em um memorial sobre o Rio Hudson, em Manhattan
FOTO: REUTERS / GARY HERSHORN
A derrubada das torres gêmeas em Nova York e o ataque ao Pentágono tiraram a vida de quase três mil pessoas e tornaram aquele dia inesquecível para a humanidade. A preocupação em se precaver contra o terrorismo alterou conceitos e mudou hábitos em várias partes do planeta. Muito além disso, territórios foram invadidos e milhares de civis e militares mortos em nome do que se convencionou ser a "Guerra contra o Terror".

Para especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, os EUA ficaram mais enfraquecidos após os atentados executados pela rede terrorista Al Qaeda.

"É um mundo mais complexo, interdependente e instável. Os instrumentos de governabilidade são menos eficazes e os indivíduos mais poderosos perante seus governos. Os EUA perderam muito de sua influência devido às desastrosas políticas de George W. Bush (presidente de 2001 a 2008)", avalia Antônio Jorge Ramalho da Rocha, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Para o doutor em Ciências Sociais, com linha de pesquisa em segurança internacional e política externa e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Reginaldo Nasser, a ameaça do terrorismo causou mudanças no sistema político interno e externo. Segundo Nasser, os Estados Unidos passaram a agir com três ações: guerra tradicional (afegã e iraquiana); Secretaria Interna de Segurança, restringindo direitos de cidadãos dentro dos EUA; e uso de ação policial internacional com operações especiais e empresas de segurança.

Após setembro de 2001, os Estados Unidos ocuparam o Afeganistão (desde outubro daquele ano) e o Iraque (desde março de 2003) e investiram, segundo dados oficiais da Casa Branca, quase US$ 1,3 trilhão nas ações de combate ao terrorismo. Em 2004, o republicano George W. Bush foi reeleito com a bandeira da "Guerra contra o Terror".

O democrata Barack Obama assumiu em 2009 prometendo mudanças na política de segurança como o fim da base de Guantánamo, marcada pelo desrespeito aos direitos humanos. Em 2012, para Ramalho, a reeleição de Obama "depende fundamentalmente de sua capacidade de inspirar liderança no enfrentamento dos problemas internos dos EUA, a maioria dos quais constitui uma herança negativa dos anos Bush - da qual, não obstante, os Republicanos têm conseguido se dissociar".

Efeitos
Uma década após os ataques em solo norte-americano, os efeitos além das fronteiras dos EUA são analisados por especialistas. Para o pós-doutor em filosofia, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Jamil Ibraim Iskandar, a mudança mais drástica foi a ´islamofobia´ que os EUA teriam propagado no mundo sob o lema "Guerra ao Terror". "Hoje, sabe-se, e isto é lamentável, que os muçulmanos são tidos como terroristas em função da improcedente propaganda norte-americana".

O professor enumera entre as principais consequências do 11 de setembro a invasão do Iraque. Para Iskandar, essa foi uma "resposta injusta", pois agrediu o mundo árabe em geral e os muçulmanos em particular e ampliou a discriminação aos árabes na Europa e em outros países.

Ele considera que os EUA se enfraqueceram tanto econômica como politicamente ao longo da última década. "A invasão do Iraque e do Afeganistão trouxe um desgaste neste sentido. A política dos EUA privilegiou as invasões. Toda invasão tem um custo moral e econômico. A liderança dos americanos está extremamente enfraquecida", diz.

Fonte:Diário Nordeste

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